Interferência causadas por lâmpadas fluorescentes com reator eletrônico
30 de janeiro de 2010
As lâmpadas que empregam reatores eletrônicos são capazes de gerar grande quantidade de ruído em LF e HF e transmiti-lo à distância por meio da fiação AC que as alimenta. A causa do ruído é a fonte comutada empregada, funcionando em frequências geralmente entre 30 e 100 kHz. Há dois tipos de ruídos produzidos por tais fontes, um deles se manifesta como portadoras a cada múltiplo da frequência de comutação e outro, chamado "hash" em inglês, que é exatamente como ruído branco, o som produzido é como de um sopro, em nada diferente do ruído que se ouve em HF quando não há nenhuma estação e o modo de recepção é AM ou SSB/CW. A lâmpada também contribui com ruído pois o gás realiza um ciclo alternando entre condução/aberto a cada semiciclo da alimentação.
Percebi que parte dos ruídos que estavam aumentando o piso de ruído em HF eram produzidos no próprio QTH, ao fazer experiências com lâmpadas diversas e ouvindo no rádio. As chamadas lâmpadas econômicas compactas produzem ruído mas é relativamente de baixa intensidade, não chegando atrapalhar. Contudo aquelas fluorescentes empregando "reator eletrônico" são usinas de sujeira espectral! São dois tipos dessas lâmpadas: aquelas antigas feitas com um tubo de vidro longo e reto, e as mais recentes, em formato circular. Esses dois tipos estão em uso no QTH e produzem bastante ruído.
Essas 3 aqui são campeãs de produção de ruído em meu QTH!
Para evitar a transmissão do ruído pela fiação de AC contruí e coloquei em cada uma filtros; com isso eliminei o problema gerado no prórpio QTH. O problema do ruído causada por lâmpadas na vizinhança só pode ser combatido por meio de colocação de filtros, se for posível, ou uso de antenas especializadas (que atenuem o sinal de certas direções).
O filtro é constituído por um enrolamente de fio trançado, comumente usado em fiação de telefone, sobre núcleo de ferrite e um capacitor.
O esquema do filtro é semelhante ao filtro usado em PC descrito aqui, mas nesse caso somente se usa o capacitor C1, no lado que vai ao reator.

O núcleo que utilizei, toroidal, foi retirado de sucata e com 12 espiras de fio obtive a indutância de 150 uH. Esse valor não é importante ser exato. O melhor tipo de núcleo é aquele que é empregado nos cabos de ligação de mouses, fontes chaveadas de notebooks, monitores, pois foi projetado para esse fim; costuma ser um cilindro de ferrite ou toróides colocados lado a lado.
O capacitor deve ser capaz de suportar a tensão AC, capacitores comuns são especificados para tensão máxima DC. Utilizei um modelo de poliéster metalizado multicamada Epcos de 0.47uF para 400Vdc e 200 Vac. No meu caso a alimentação AC é de 127V. Esses capacitores podem ser obtidos em sucatas de fontes chaveadas, filtros para AC e nos próprios reatores para lâmpadas fluorescentes e econômicas.
Com isso eliminei parte do problema, aquele gerado no QTH, porém resta a vizinhança...