RESTAURANDO UM DELTA 1000
Parte II
Primeiras observações
de funcionamento
Na primeira vez que o Delta 1000 foi recolocado a funcionar, um número de problemas foi constatado:
1 - A ROE em 14 Mhz e acima é muito alta para o excitador, quando o linear está desligado (bypassed). Isto acontece porque as ligações dos conectores coaxiais ao relé são feitas com fio simples, deveria ser cabo coaxial, e o próprio relé não é apropriado para isso, não apresenta um ambiente aperiódico com impedância de 50 ohms. Em 28 MHz a ROE introduzida pelo linear é 1,6:1. Além do fato que o transmissor sozinho (barefoot) não irá funcionar devidamente, a própria recepção será prejudicada (em 21 MHz e acima). A modificação estimada é isolar do terra um dos conectores coaxiais, possivelmente o de saída, para então fazer a ligação de terra do conector diretamente ao cabo coaxial que será colocado dali ao relé. Desse modo também se retira parte da alta corrente de RF circulante pelo chassi, que só tende a causar problemas.
2 - A impedância de entrada do linear em funcionamento é bastante fora dos 50 ohms necessários aos equipamentos atuais. Isto é devido à falta de um circuito sintonizado na entrada. A impedância de entrada num circuito AB2 grade a massa varia muito durante o ciclo do sinal. Um remédio que será tentado é a colocação de um atenuador resistivo na entrada, seguido por circuito pi. Assim mata-se dois coelhos: melhora-se a estabilidade da impedância promovendo um funcionamento mais perfeito tanto do pi de entrada quanto aquele na saída do rádio excitador; e diminui-se um pouco a potência. A maioria dos rádios de HF atuais tem 100 Watts de saída, constantes desde 1.8 a 29 MHz. É o caso do FT840 de que me sirvo. As quatro 811 precisam de no máximo 70 Watts. Podemos então "desperdiçar" 30 W num atenuador e com isso diminuir as variações de impedância. Essa técnica é muito utilizada em receptores de alto padrão e equipamentos de medição. E assim não se terá tanta preocupação em ultrapassar os 50 mA máximos de corrente de grade excitação por válvula.
No lugar onde se encontra o potenciômetro de ajuste de sensibilidade do medidor de saída, que será substituído por um wattímetro/medidor de ROE,
tornando-se desnecessário, será colocada uma chave de ondas para o filtro pi de entrada.
Segundo pesquisa de William Orr, W6SAI, a falta de circuito sintonizado na entrada do amplificador grade a massa faz piorar a IMD (distorção por intermodulação) em 5 a 6 dB. Não é para menos que o Collins usa e não há aparelho mais lendário pela qualidade do que este!
Na tabela a seguir encontramos os resultados das medidas feitas de corrente de grade, corrente de placa, ROE na entrada, potência do excitador (o excitador não ultrapassava os valores anotados por causa da alta ROE), e as posições dos botões de sintonia do pi de saída. A potência não foi anotada mas pode-se multiplicar a corrente de placa por 1700 Volts para obter o valor de potência de entrada
|
FAIXA
|
GRADE
|
PLACA Ip
|
ROE entrada
|
Watts do excitador
|
Botão placa
|
Botão antena
|
|
80
|
37
|
0,28
|
3
|
20
|
5
|
7
|
|
40
|
50
|
0,35
|
4
|
20
|
5
|
9
|
|
20
|
70
|
0,45
|
5
|
10
|
1
|
7,5
|
|
15
|
200
|
0,75
|
1,4
|
100
|
2,5
|
6
|
|
10
|
175
|
0,68
|
1,5
|
55
|
3,2
|
6
|
Além do que já foi comentado, notamos que a posição dos botões de sintonia (variando de 0 a 10 onde 10 é o valor máximo de capacidade) indica que o pi de saída não está adequado. Era de se esperar uma progressividade. De imediato se nota falta de indutância em 80 metros. Posteriormente descobri que faltava também capacidade, tudo indica que o Delta 1000 foi projetado para AM e nesse caso trabalha num ajuste da potência de entrada muito menor do que em CW/SSB, isto é, a impedância apresentada pelo pi de saída é muito distante do ideal no uso em CW/SSB . O pi como um todo terá que ser revisto. Além disso há as 3 faixas novas a se incluir (futuramente a de 160, que vai necessitar chaves acionadas pela chave de onda para agregar capacidade).
3 – O transformador de filamento aquece demais. Acredito que isso seja no núcleo, por causa de oxidação. Será tentada uma desmontagem e envernizamento das placas de ferro.
4 – A voltagem de filamento está muito alta, 7,1 Volts quando deveria ser 6,3V. Provavelmente seja porque no tempo em que o Delta 1000 era fabricado, a voltagem da rede era de 110V, hoje é 127V. O ideal é que fosse de 220V.
Tensão alta no filamento acaba
com as
válvulas!
Pesquisa da EIMAC mostra que 3% de aumento na tensão de filamento
acarreta 50% de diminuição da vida da válvula! Como
o choque de RF de filamento terá que ser modificado para possibilitar o funcionamento em 160 metros, futuramente, será revisto a espessura do fio para que a queda de tensão seja de modo a rebaixar a tensão. Mais dois coelhos...
5 – O pi de saída terá que ser refeito.
6 - A colocação da faixa de 160 m será uma terceira fase mas o choque de RF da alta voltagem tem que ser visto agora, senão todo o pi terá que revisto futuramente.
7 - Colocação de wattímetro/medidor de ROE, ao invés do medidor de saída original. É um circuito simples, encontra-se descrito noutra página, e muito mais útil que o atual.
8 - Os resistores "bleeder"
da alta tensão estão ligados de modo incoveniente, a corrente
por eles é indicada pelo medidor de corrente de placa. Bastará
retirar a ligação de terra e ligar diretamente ao terra do banco
de capacitores eletrolíticos.
Parte III -
Desmontagem e remontagem do transformador
retorna à página incial